Bú! :-P

Histórias da Vida – O Palhaço Paçoca, Faxinando e Dividindo o Passado

Historias da Vida

O hospital é acima de tudo um local de encontro. Encontro do palhaço com outras pessoas e suas histórias. É engraçado ver que as histórias também não saem à toa e nem a qualquer tempo, na verdade, é preciso tempo para que elas possam surgir, e acho que é por isso que um trabalho com continuidade e presença é importante. As relações são construídas, não nascem prontas.

Uma brincadeira aqui, outra ali, e dessa vez o nosso amigo da faxina, sempre sorridente e brincalhão, nos acompanhou meio que de longe, observando as atuações nos quartos e no corredor. Juntou-se a outra faxineira e a prosa aconteceu no intervalo entre um quarto e outro.

A observação mais importante que tiveram no dia é que perceberam que somos totalmente perdidos! E nós concordamos, é verdade! Eu e o Cirurgião Figuerino realmente precisamos de um GPS ou um Waze que funcione no hospital.

Papo vai, papo vem, confessaram que também são perdidos! Ou seja, quatro perdidos no mesmo lugar, ninguém acha ninguém! Já concluímos que era melhor não trabalharmos juntos.

Foi aí que o nosso amigo faxineiro nos contou, “eu fui o Palhaço Paçoca”, olha só! Sim, ele já trabalhou no circo e agora está na faxina do hospital. Na época não foi embora com o circo porque o pai não deixou, disse que “aquilo não era vida” e levou ele pra trabalhar na roça, colher laranja.

Está feliz com a vida, mas lembra com saudade daquele tempo “trabalhar no circo era muito gostoso!”, o olhar parado, na posição de quando começamos a lembrar de algo saudoso e o olhar se perde no horizonte, a mente vagando no espaço-tempo, como se nada mais existisse, nem mesmo o tempo.

O brilho nos olhos de quem já respirou aquele ar alegre do circo, das famílias, do companheirismo, dos artistas, das parcerias… um micro silêncio, deixamos ele viajar no tempo… nesse mundo maluco, às vezes as pessoas vivem no automático e esquecem das origens, as suas histórias particulares, experiências da vida.

Voltando seu olhar para o presente, a história também surpreendeu a sua colega de faxina que não conhecia esse passado incrível do parceiro. Mais uma prosa aconteceu entre nós, e foi inevitável o “tchau Paçoca!”. Deu pra ver o sorrisão no rosto dele, realmente foi bom reviver isso!

Pronto! Agora, seus colegas o chamam de Paçoca, e nós, também! Ao final, perguntamos “o que está faltando para o Paçoca aparecer?” Antes que qualquer um de nós respondesse, ouvimos “ué, tá faltando comer mais amendoim!” Sua colega arrematou, e a essa altura já tinham seis pessoas ouvindo a história, e todos caíram na risada, inclusive nós.

É isso, o presente é o melhor momento, e que bom que vivemos isso tudo com intensidade! Valeu Paçoca, obrigado por esse momento.

Artista: Tiago Abad

Palhaço: Cirurgião Acerola

Cidade: Limeira

Hospital: Unimed

Mês: maio – 2016

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