Bú! :-P

Um Abraço e Nada Mais

CIRURGIÕES DA ALEGRIA (Cristiane Abreu) (158)

No hospital não existe rotina, exceto pelos setores que passamos, ou seja, cada hospital tem um roteiro pré-estabelecido onde os palhaços irão transitar. Não há um tempo estabelecido já que cada interação é nova, fresquinha, e determinar um tempo para isso seria injusto, tendo em vista que a todo momento tudo muda dentro do ambiente. São novas pessoas, visitantes, colaboradores, voluntários, área interditada para limpeza ou reforma, crianças que mudaram de quartos e por aí vai.

Eu e o Cirurgião Figuerino estávamos cumprindo com o nosso roteiro, chegando no corredor onde os pacientes e acompanhantes ficam aguardando serem chamados para entrarem na Oncologia. De longe ouvimos alguém falando alto, parecia uma reclamação ou discussão, não sabíamos, mas ligamos as anteninhas e ativamos o radar para entrarmos com o máximo de cuidado no ambiente.

Entramos com o devido cuidado e entre as pessoas havia uma senhora baixinha, nunca a vimos, mas parecia vermelha de raiva! Pois bem, nos apresentamos e o Cirurgião Acerola foi logo dizendo “ouvimos algumas reclamações, vocês acham que é preciso chamar os bombeiros? Onde há fumaça há fogo!”. As pessoas começaram a rir daquele comentário idiota, inclusive a senhorinha. Confesso que foi arriscado já que não sabíamos direito o teor da coisa toda, mas pelo que percebemos, o ambiente já estava mais calmo.

Um dos acompanhantes sinalizou “é ela que está querendo um pedaço de pau pra quebrar tudo aqui”. Nos colocamos a disposição para arrumarmos uma vassoura ou um pedaço de pau e nessa hora abriu a sala do Doutor, que saiu dizendo em tom de brincadeira: “olha, aqui não tem nenhum pedaço de pau não heim!”.

Iniciamos a nossa busca pelo corredor, consultórios, quartos, pesquisamos as pessoas que passavam, os que estavam acompanhando, os médicos, enfermeiros, seguranças e até o pessoal da limpeza, mas ninguém sabia onde encontraríamos o pedaço de pau.

Voltamos para o ambiente para contar a notícia, afinal não havíamos encontrado nenhum pedaço de pau, só gaze e algodão, mas eram materiais inofensivos. Todos pareciam mais descontraídos no ambiente, a senhorinha estava menos vermelha e com outro semblante.

Acerola: “Olha, não achamos o pedaço de pau, o que podemos fazer pela senhora?”

Senhorinha: “Não quero mais o pedaço de pau, eu quero mesmo é um abraço agora, estou até com vontade de chorar”.

Ah, nos abraçamos! Sabe aquele abraço demorado e de tirar o fôlego? Pois bem! E dava até pra chorar se quiséssemos de tão bom que foi. Figuerino também aproveitou pra tirar uma casquinha e dar aquele abraço!

Tem momentos que um abraço vale mais que um pedaço de pau!

Artista: Tiago Abad

Palhaço: Cirurgião Acerola

Mês: agosto – 2016

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