Bú! :-P

A Criança Sorri da Doença

Divulgação MÁRIO GATTI -5 Abril (Cristiane Abreu) (215)

A tensão era grande na hora de entrar na enfermaria lotada de crianças, de médicos, enfermeiras e todo pessoal que habita aquele local. Enfim a dupla na porta é recepcionada pelo choro estridente de uma criança que a mãe levava no colo para o banheiro, deixando assim, ouvir a doce melodia que sai do pequeno instrumento que mais se parece com um violãozinho que o Cirurgião Figuerino leva carinhosamente apertado ao peito.

Lá no fundo do quarto uma junta médica composta por três homens de jalecos brancos com aparência séria encaram a criança deitada no bercinho. Ela está com um semblante sereno, mas curiosa com a melodia que adentra ao quarto. Os homens de jalecos apertam aqui, acolá, e a criança com sua singeleza sorri, dando a impressão que está a sorrir da doença, ao contrário da mãe que olha apavorada para os médicos que estão na sua frente a conversar, a examinar e… e a música?

A música insiste em permanecer em um volume quase inaudível, mesmo com o acompanhamento sutil do chocalho que o Cirurgião Acerola toca, tornando a música presente e potente, transportando um ou outro a algum lugar que não é a enfermaria. Os olhares recaem na dupla que a passos de tartaruga vem adentrando o quarto, a criança agora em pé e no chão se curva para olhar entre os jalecos e calças brancas que lhe cercam, tentando ver os palhaços que estão quase invisíveis. A criança ao vê-los chegando  continua sorrindo da doença (às vezes queria ter a frieza e a coragem das crianças para enfrentar certas situações).

Entre um aperto aqui e acolá, uma alma vivente de jaleco bate palmas para a criança, parecendo querer participar daquele olhar curioso. A criança olha pra ele e lhe abre um largo sorriso despreocupado demonstrando claramente que a criança continua sorrindo da doença.

Os Cirurgiões Palhaços vão trocando olhares para outras crianças e ao perceber que a graça não cabia naquele momento eles vão saindo como se não tivessem entrado. Perto da porta de saída, a médica que a distância tudo observava, informa que a criança no colo da mãe antes de entrar no banheiro havia parado de chorar. O médico pede que a mãe coloque a criança para andar. A mãe obedece e diz para a criança ir até os palhaços que neste momento estão dobrando o corredor já entregues aos outros afazeres na labuta de continuar a despertar sorrisos.

Os médicos observam a criança atravessando a enfermaria e a mãe corre para buscar a criança e volta para a realidade da junta médica que continuam a conversar, um nó na minha garganta me aperta e quase deixo uma lágrima escorrer ao ver que aquela história, com aquelas distintas pessoas, médico, mãe, criança e palhaços aconteceu naquele momento, e o mais interessante nessa oficina de observação foi ver que o estímulo para que a criança caminhasse, foi o palhaço.

E os Cirurgiões Palhaços continuam sua peregrinação pelo corredor, o papel cai no chão, a copeira serve o leite para os pais, a mamadeira para as crianças, e o palhaço vai transitando naquele ambiente entre risos e lágrimas garimpando e lapidando as histórias que a vida lhe oferece.

Artista: Eliseu Pereira

Atividade: Oficina de Observação

Cidade: Campinas

Hospital: Mário Gatti

Mês: Maio – 2017

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