Bú! :-P

O Idioma Universal

MÁRIO GATTI -5 Abril (Cristiane Abreu) (40)

Trabalhar com a linguagem do palhaço no ambiente hospitalar sempre proporciona momentos únicos e inusitados! Estamos interagindo com pessoas diferentes em quase todos os momentos e dias de visitas, e nunca saberemos o que vamos encontrar atrás da próxima porta. Isso faz com o que o trabalho seja sempre renovado a cada dia, a cada visita, e a cada interação com as pessoas que encontramos pelo caminho.

Foi em um desses encontros inusitados, no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, que a dupla de Cirurgiões Acerola e Figuerino puderam vivenciar a experiência de uma viagem internacional.

Lá estavam os palhaços andando pelos corredores da pediatria, começando seu trabalho, aquecendo o espaço com conversas bobolológicas com quem encontrassem pelo caminho, até que avistaram uma movimentação na sala da Classe Hospitalar (nessa sala as crianças se encontram com a Pedagoga para continuar com as atividades escolares), e como a curiosidade falou mais alto, lá foram eles dar uma conferida.

Ao bater na porta e pedir permissão para entrar, os palhaços avistaram duas meninas brincando com um jogo de tabuleiro, e ao lado, a mãe de uma delas que ao avistar a dupla revelou um olhar de interesse.

A filha olhava para mãe como se buscasse uma explicação do porque havia palhaços ali, e a mãe, ao tentar explicar, revelou algo inesperado que viria a ser um drama para a dupla de Cirurgiões.

Logo nas primeiras palavras da mãe com a filha, os Cirurgiões Acerola e Figuerino puderam notar algo diferente, algo na voz parecia estranho. Os dois começaram a refletir sobre o que poderia ser, e não demorou muito para que o Cirurgião Acerola, dono de um vasto conhecimento mundano, entendesse exatamente do que se tratava. A língua daquela família era diferente!

Cirurgião Figuerino ficou perplexo! Puxou a sua lupa do bolso e disse: “Língua diferente? Então quero ver, coloquem a língua para fora que eu vou analisar!”, na cabeça dele a língua delas poderia ser azul, ou amarela com bolinhas, ou até mesmo peluda como a dos gatos. Foi difícil, mas o Cirurgião Acerola conseguiu explicar o mal entendido, afinal não era a língua que era diferente, era a linguagem, a fala, o idioma. Parece que o Cirurgião Figuerino entendeu, ou pelo menos fez cara de entendido.

Cirurgião Acerola se tornou o intérprete, já que possui a habilidade de falar várias línguas, mostrando um pouco de toda a sua “sabedoria”. Os palhaços tentavam se comunicar de diversas maneiras: mímicas, desenhos, sons, e a todo tempo tentavam arrastar um “portunhol”. A cada uma dessas tentativas era um som agradável de risadas, de crianças e adultos.

A essa altura o quarto já estava cheio de gente, vieram enfermeiros, acompanhantes de outros quartos e funcionários do hospital para ver o que estava acontecendo. Todos riam, cada um da sua maneira, cada um com sua linguagem.

Naquele momento, todos falavam o mesmo idioma: O idioma universal do Riso!

Artista: Guilherme Figueiredo

Palhaço: Cirurgião Figuerino

Hospital: Mario Gatti

Cidade: Campinas

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