Bú! :-P

Aponta-Aponta e o Poder da Colaboração

CIRURGIÕES DA ALEGRIA - Cristiane Abreu (150)

Algumas ações que fazemos, são totalmente despretensiosas. Ou melhor, saem de algum lugar, para alguém e no momento certo. Estranho isso, mas as coisas acontecem em alguns momentos, sem nenhuma programação, apenas por estarmos ali no ambiente, algo começa, e no final, você percebe que era exatamente aquilo que era para acontecer.

Estávamos no PSI do Hospital Mário Gatti, eu Cirurgião Acerola e o Cirurgião Gaguelho, aparecemos no corredor e nos deparamos com o ambiente bem movimentado, muitos conversando, criança chorando, outros brincando, algumas mães com semblantes de preocupação… acho que dá para ter ideia do quadro estabelecido.

Aparecemos no ambiente e ficamos aguardando, nos olhando, olhando para as pessoas e parados, esperamos que fôssemos notados. Em alguns momentos é o melhor a fazer, levar barulho em um ambiente onde tem muito, apenas soma mais um ruído, não faz o movimento contrário.

Ficamos ali por alguns minutos até que acabaram nos olhando e ficando em silêncio, pareciam inclusive aguardando fazermos algo. Porém, nos preparamos para fazer nada!

Instalado aquele clima do “e aí, o que vai rolar?” Gaguelho aponta o seu dedo para mim. Eu, prontamente, aponto o dedo para ele. Fizemos isso algumas vezes, até que um de nós apontou para uma mãe. Essa mãe, por sua vez, apontou para outra mãe, que apontou para outra e que apontou para mim. Devolvi a “apontada” para uma criança, essa apontou para a enfermeira, que apontou para o médico, que apontou para uma mãe…

O fato, é que aconteceu um “aponta-aponta”, em silêncio, sem nenhuma palavra, e ficou engraçado em determinado momento! As pessoas se juntaram para realizar o jogo do “aponta-aponta”, sem um objetivo específico e nem eleição de vencedores. Não havia competição, apenas a soma de pessoas colaborando para que o jogo acontecesse. E nos divertimos por muito tempo nisso, pois em determinado momento começaram a diversificar as maneiras de aponta-aponta, com estilos próprios. Até os mais acanhados se mostraram bons “apontadores”.

Rimos, ficamos curiosos, ansiosos para alguém apontar o dedo pra nós, e felizes por ver quem parecia não participar, participando.

Quando a gente se une, com o objetivo único de nos divertir, a vida parece ficar mais leve.

Artista: Tiago Abad

Palhaço: Cirurgião Acerola

Cidade: Campinas

Hospital: Mário Gatti

Mês: março – 2018

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