Bú! :-P

O Convite Para Atuar na UTI e o Início de Uma linda História

2018-06-20_BMK_Cirurgioes-MarioGatti_Campinas-26

Estamos atuando na Santa Casa de Limeira há 3 meses, e iniciar o trabalho em um novo hospital é uma conquista diária. Os colaboradores primeiro precisam se acostumar e conviver com a nossa presença, e o nosso desafio é estabelecer boas relações com todos que estão no ambiente, principalmente os colaboradores que fazem parte da instituição, e estão diariamente transitando pelos espaços do lugar.

Pela primeira vez fomos convidados por uma das médicas da equipe a entrarmos na UTI Pediátrica. Foi um mix de felicidade pelo convite e nervosismo por ser a primeira vez, e estarmos em um local tão delicado. É um lugar que exige o dobro de cuidados que já temos nos quartos de internação, é que as interações às vezes acontecem por mínimos movimentos e sons, já que algumas crianças estão desligadas deste mundo.

Ao entrarmos, encontramos a Ana*, uma linda menina de 7 anos, sem cabelos e boa parte do corpo com queimaduras. A visão realmente era impactante, eu que tenho filhos pequenos, em alguns momentos acabo me chocando com algumas visões já que automaticamente vem à mente meus três filhinhos e acabo me colocando no lugar dos pais.

Ao seu lado, a avó. Aliás, as avós são grandes companheiras nos bons, e nos momentos mais difíceis. É muito comum vermos as vovós dedicando todo o seu tempo no cuidado dos netinhos, e preocupadas, doando todo o seu carinho em prol dos seus amados. Rapidamente me livrei dos meus pensamentos, voltei a atenção para a vovó e iniciamos uma brincadeira. Ana tudo via, com movimentos muito lentos e mínimos, quase uma câmera lenta dos filmes.

Em uma das brincadeiras e viradas para falar com a avó e com a menina, o Cirurgião Gaguelho ficou atrás de mim e eu não o vi mais, comecei então a procurá-lo pela UTI. Ana apontando com seu dedinho, levantado com certo esforço e leves movimentos, mostrando onde estava, e eu, dentro do jogo do palhaço, virava mas não encontrava, já que Gaguelho queria ficar escondido.

Procurei, procurei, procurei, até que enfim achei! “Onde você estava?”, ele: “procurando um pedaço de terra para plantar uma semente de banana”. Eu: “poxa, tem um pedaço aqui do lado da cama”, Gaguelho plantou e nasceu um belo pé de banana. Acerola encontrou uma banana no pé, mostramos para a Ana que apenas levantou as sobrancelhas do tipo “nossa, de onde veio isso?”. Como estava perto do almoço, nos despedimos para comer a banana de sobremesa.

A sensação desse encontro foi muito forte. Uma delicadeza em todos os movimentos, uma criança muito afim de brincar, fazendo o possível para se relacionar com os palhaços. Me senti muito honrado em poder receber toda essa energia, e poder ver a gentileza da criança em se dispor a brincar com a gente, colocando de lado as suas dores e limitações. Um baita aprendizado!

Obrigado Ana!

* Nome fictício para preservar a privacidade da criança e da família.

Artista: Tiago Abad

Palhaço: Cirurgião Acerola

Cidade: Limeira

Hospital: Santa Casa de Limeira

Mês: setembro – 2018

Foto: Luiz Beraldo

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