Bú! :-P

Tag: Visita à Hospitais

Morte – O Segredo da Vida
Morte – O Segredo da Vida

Erondi

“Morte, morte, morte que talvez, seja o segredo dessa vida…” Raul Seixas.

Mais um dia de trabalho de Cirurgião da Alegria no hospital…

Tínhamos acabado de chegar, os palhaços ainda estavam dentro das malas, pedíamos informações sobre os pacientes no balcão de atendimento, quando de repente, um grito toma conta do local:

– Enfermeeeeeiiiraaaaa… Corre aqui, por favor!

O grito desesperado vinha acompanhado de choros e no meio da confusão uma voz se destaca gritando:

– Paaaaaaiii, não me deixa pai! Meu paaaaaiiiiii… Paaaaaaiii…

Os pedidos de ajuda eram para tentar conter o rapaz que estava vivenciando os últimos momentos ao lado de seu querido pai. Ele sai do quarto aos prantos, carregado por outros parentes que tentavam o consolar com religião.

Nós, os portadores dos palhaços, nos olhamos e nada mais, respeitamos o silêncio que o sessar dos gritos pedia e seguimos o nosso dia. Uma brincadeira aqui, uma música ali, risadas, piadas e no caminho de volta para o quarto, em um corredor, enfermeiros com semblantes sérios empurravam uma maca com um corpo coberto por inteiro pelo lençol branco…

Em uma fração de segundos, vi a imagem do rapaz gritando pelo pai. Quantas histórias aquela pessoa viveu? Quantos amores? Quantas angústias?

Refleti sobre a vida, sobre o quanto ela é bela, intensa e efêmera. Enquanto a maca se afastava com o corpo, ouvia choros estridentes de recém-nascidos. Ri comigo mesmo, quanta ironia! A vida se renovando bem de baixo do meu nariz, nariz que carrega a profissão que me proporciona momentos tão completos como esse. Ri de novo, mas dessa vez não me deixei pensar, apenas procurei me manter nos caminhos que a vida jogava a cada instante por de baixo dos meus pés.

Palhaço: Cirurgião Erondi

Artista: Hugo Delariva

Cidade: Limeira

Hospital: Humanitária.

Mês: agosto

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A Humana Arte de Transformar Choros em Sorrisos
A Humana Arte de Transformar Choros em Sorrisos

Erondi - Palhaço de Hospital - Cirurgiões da Alegria

Era quase fim do expediente, já tínhamos caminhado por todo o hospital e estávamos voltando para o nosso antro besteirológico, quando de repente ouve-se um choro muito estridente de um bebê.

 

Bem na hora do ocorrido estávamos passando pelo posto de enfermagem. Os berros, os olhares dos palhaços para com as enfermeiras e a comunicação. Não foi necessária nenhuma palavra para que entendêssemos que a nossa ajuda era bem vinda. Fomos até o quarto, lá estavam duas enfermeiras, uma mãe e uma criança. Essa se debatia na cama, recém acordada da anestesia da cirurgia e desesperada por não saber o que estava acontecendo, o choro era muito alto, as enfermeiras tentavam conter o braço para que o cateter não saísse e nós, os palhaços, ao vermos toda essa situação conturbada tentávamos contagiar com uma energia completamente oposta, cheia de calma e tranquilidade, estávamos sem instrumentos, mas mesmo assim decidimos tocar uma música.

 

Tocávamos com o corpo, com a boca cantávamos e fazíamos alguns sons malucos e com a alma permanecíamos em comunhão com aquele momento delicado e assustador na vida daquela criança. Estávamos presentes, juntos da equipe, da mãe e da criança.

 

Não sei classificar ao certo os porquês dos fatos que se seguem, mas a partir do momento em que conseguimos penetrar naquela atmosfera densa e pesada, carregada de choro e de dor, com nossa calma e serenidade, com nossa arte e cumplicidade, o choro foi diminuindo, o silencio foi se estabelecendo, a criança se acalmou, a mãe pode finalmente pega-la no colo onde ela exausta adormeceu. Fomos saindo sem dizer nada, as enfermeiras vieram quase junto com a gente, e ao sair do quarto rolou até uma comemoração entre nós, não sabíamos ao certo o que comemorávamos, talvez o fato de ter transformado aquele ambiente de alguma forma.

 

Olhei no olho do meu parceiro de trabalho e procuramos não entender e nem argumentar sobre o que tinha ocorrido, só guardamos em nossos corações a certeza de que tínhamos feito uma coisa boa e bela, que estava para além de nós e de nossas compreensões, que estava no âmbito da vida, no âmbito da arte…

 

 

Palhaço: Cirurgião Erondi

Artista: Hugo Delariva

Cidade: Limeira

Hospital: Humanitária.

Mês: Maio

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