[Plantão Esparadrapo] Dá Play com os Cirurgiões da Alegria!
Publicado em 20 de agosto de 2026

Em mais um dia de Visita da Alegria, eu e o Cirurgião Acerola fomos parar na Pediatria… ou melhor, na UTI Pediátrica da PUC, em Campinas. Como sempre, chegamos com aquele jeitinho de quem pede licença até para entrar na festa: conversamos com as chefes da enfermaria, pedimos autorização e seguimos.
Logo de cara, percebemos que o dia estava daqueles! Procedimentos acontecendo, enfermeiras correndo de um lado para o outro… Um verdadeiro “Corre, que tem exame!”
E pensamos:
“Bom… será que aqui tem espaço para dois palhaços?”
A resposta veio rapidinho. Uma das enfermeiras nos contou que havia um menino acordado no último leito, do lado direito, e que poderíamos visitá-lo. Lá fomos nós!
Encontramos o pequeno no colo da mãe, que o segurava com aquele abraço de mãe que parece dizer: “Se depender de mim, ninguém mexe com você!”
Cantamos, conversamos, fizemos uma graça aqui, outra ali… até que, de repente: “Palhaços! Precisamos de vocês!”
Era uma enfermeira que precisava realizar um eletrocardiograma em um bebê que estava acordado, agitado e chorando. O pequeno Henrique* (*nome fictício).
E qual era a missão? Distrair o pequeno.
Ora, meus amigos… se tem uma coisa que palhaço gosta é de uma missão impossível! Pegamos os instrumentos e começamos a cantar. E aí aconteceu.
O pequeno Henrique parou de olhar para o exame e começou a olhar para nós. Olhou para os instrumentos. Olhou para nossas roupas. Olhou para nossos narizes. Olhou para aquele movimento todo.
E provavelmente pensou: “O que esses dois estão fazendo aqui?”
E nós seguimos. Uma música. Depois outra. Mais uma. E outra…
A playlist dos palhaços começou a ficar preocupante! Cantamos tudo o que lembrávamos de música infantil. Dona Aranha, clássicos, músicas que nem sabíamos se ainda lembrávamos da letra… e fomos seguindo!
E o mais bonito era observar o pequeno Henrique. Aquele choro foi dando espaço para a curiosidade. E as mãozinhas, que antes tentavam mexer nos eletrodos, começaram a balançar no ritmo da música.
Era quase um: “Palhaços, continuem! O show está bom!”
E nós continuamos! Porque o palhaço tem algumas ferramentas muito importantes: o olhar, a escuta e a presença. Nós olhávamos para ele. Ele olhava para nós. Nós tocávamos. Ele balançava as mãozinhas.
E assim fomos construindo uma pequena conexão no meio daquele ambiente tão cheio de procedimentos.
Até que veio a notícia mais esperada: “Deu certo! Conseguimos terminar o exame!”
Missão cumprida! Nos despedimos da enfermeira e do pequeno Henrique com um aceno de mão e seguimos nossa visita. Mas saímos dali levando conosco muito mais do que uma história. Levamos aquele olhar atento.
Aquelas mãozinhas acompanhando a música. Aquela conexão inesperada, e a certeza de que, às vezes, o palhaço não precisa fazer uma grande mágica. Às vezes, basta chegar. Olhar. Escutar. Cantar uma música. Depois outra. E mais outra… (risos).
E, por alguns instantes, fazer com que o medo dê lugar à curiosidade, o choro dê lugar à música e um momento difícil ganhe um pouquinho mais de cor. Porque talvez a gente não consiga mudar o que está acontecendo naquele lugar.
Mas podemos, juntos, mudar a forma como aquele momento é vivido. E assim termina mais um dia de Visita da Alegria, com um exame realizado, uma playlist quase infinita e dois palhaços saindo dali com o coração cheio de gratidão.
Obrigado, pequeno Henrique, por esse encontro.
Até a próxima Visita da Alegria!
Artista: Mauro Rodrigo
Palhaço: Cirurgião Nicolau
Cidade: Campinas-SP
Hospital: PUC
Mês: julho – 2026